segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Momento Reflexão: A Mulher na Grécia Antiga e na Contemporaneidade

    Olá, pessoal! Como não fazia isso há tempos, trouxe um texto de minha autoria para um momento de reflexão. Dessa vez, o texto é sobre a relação sócio-política entre homens e mulheres.

*Caso usem o texto, coloquem os devidos créditos: Hellen Dominique, texto retirado do blog Pequenina Biblioteca.


A Mulher na Grécia Antiga e na Contemporaneidade
    Durante a Inquisição, iniciada na Idade Média e levada adiante na Moderna, mulheres com má aparência que não cumpriam os papéis designados a elas por serem mulheres, buscavam conhecimento e tentavam ter importância, bem como reconhecimento histórico-cultural e fizeram parte da descoberta da medicina, foram discriminadas e queimadas vivas como forma de punição.
    No período da Revolução Francesa, mulheres e homens do Terceiro Estado, reprimido e explorados pelos outros, lutaram pelos seus direitos à cidadania. Não obstante, quando os representantes chegaram ao poder, eles não visaram os direitos das mulheres.
    Os conceitos de democracia e cidadania surgiram na Grécia Antiga, com o reconhecimento de que todos que obtinham direito à cidadania poderiam expô-la na diáspora, onde divulgariam seu voto. Contudo, as mulheres não fizeram parte da primeira política 'democrática' tão difundida pelo mundo.
    Além disso, as religiões monoteístas promovidas com ideais patriarcais rapidamente se apregoaram ao redor do globo. A mulher em posição secundária, como subalterna, com limitações sócio-políticas não são padrões aleatórios da sociedade contemporânea, são transmitidos culturalmente ao longo das décadas.
    Em vista disso, é muito superficial analisar questões sociais desprezando o contexto histórico, portanto, é visível que a opressão de gênero não é um problema atual, mas fruto de um passado de repressão na luta das mulheres. Como sofreu Olympe de Gouges quando escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, como resposta à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que não reconhecia a cidadania feminina, no período da Revolução Francesa.
    A culpabilização de vítimas de violência sexual, a falta de visibilidade ao trabalho de mulheres artistas, a necessidade de leis criminalizadoras da violência doméstica, assédios diários em locais públicos e desrespeito a trabalhadoras mulheres são práticas recorrentes e banalizadoras, que reforçam ideais sexistas formulados há séculos. 
    A verdade nítida é que a ideia de que gênero pode estar em complementação só é interessante quando reafirma privilégios masculinos na visão social, porque, durante todos esses séculos de diminuição, não se considerava "guerra dos sexos", mesmo que mulheres estivessem prejudicadas e os homens em posições de poder. Esse ponto de vista ganhou força quando mulheres começaram a lutar contra as amarras. Portanto, percebe-se que a ideia de complementaridade de gênero é repressora. 
    A completude comum entre os sexos só será possível quando, além da convivência diária - que, definitivamente, não significa coexistência em âmbitos sociais -, houver o reconhecimento de todas as divergências de tratamento e extinguir as limitações impostas e ainda presentes na contemporaneidade. 
    Torna-se necessário, por conseguinte, aumentar o número de debates com teor histórico-cultural e perceber a urgência do assunto em políticas públicas e ambientes escolares. Ouvir os clamores das mulheres estudiosas e vivenciadoras do machismo diário e visar  o maior número de mulheres na política, em vez de ressaltar discursos de privilegiados individualistas é a melhor maneira de quitar a dívida histórica de homens com as mulheres.

Espero que tenham gostado! Beijinhos ♥

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