quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Quote da Semana: Fahrenheit 451

    Olá, pessoal! Tudo bom com vocês? Nosso encontro de hoje é para tratar de uma pequena reflexão contida no livro que escolhi, não por acaso, para realizar uma análise crítico-política, comparando a ficção criada por Ray Bradbury à realidade atual do Brasil.



"[...] Por que ninguém quer falar sobre isso? Desde 1990, já fizemos e vencemos duas guerras atômicas! Será porque estamos nos divertindo tanto em casa que nos esquecemos do mundo? Será porque somos tão ricos e e o resto do mundo tão pobre e simplesmente não damos a mínima para sua pobreza? Tenho ouvido rumores; o mundo está passando fome, mas nós estamos bem alimentados. Será verdade que o mundo trabalha duro enquanto nós brincamos? Será por isso que somos tão odiados? Ouvi rumores sobre ódio, também, esporadicamente ao longo dos anos. Você sabe por quê? Eu não, com certeza não! Talvez os livros possam nos tirar um pouco dessas trevas. Ao menos poderiam nos impedir de cometer os mesmos erros malucos!" página 71


Espero que tenham gostado! Beijinhos ♥

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Quote da Semana: Textos Cruéis Demais para serem Lidos Rapidamente (vários autores)

    Oi, leitores! Tudo bom com vocês? O quote que separei para essa semana é bem extenso, mas não pude não escolhê-lo. É lindo, e bem reflexivo. Essa leitura é minha companhia da semana no ônibus; ao voltar da faculdade, quando preciso dar uma pausa dos textos acadêmicos, eu me lanço nessas reflexões da vida e me maravilho - como sempre - com as palavras. Espero que gostem! 





"as palavras são as únicas cisas que eu tenho nessa vida.
a poesia quando começa a descabelar meus cabelos, me beijar os olhos, me encher de graça.
[...]
as palavras já me salvaram do suicídio,
da automutilação,
da força de fugir.

quando fugi,
fui pra dentro dos parágrafos de mim mesmo
e me construí ali.

quando tive ansiedade, culpa, raiva, frustração, apatia, transtornos e vontades de ir para qualquer lugar que não este mundo...a palavra, ela mesma, que se pendurou no meu pescoço e me pediu que eu ficasse,
que eu valia a pena.

as palavras deitaram sobre a minha clavícula e fizerem terapia comigo. me explicaram das alucinações que tive durante a infância, me falaram sobre ciência, religião.
as palavras lamberam cada tentativa minha de sair de mim. elas dizem: "fique aí, você é muito!".

e eu acreditei:
eu era muito, eu fui muito, eu sou muito.
[...]
meu coração não para,
as palavras dormem nele.
meus textos dormem no meu próprio coração.

metalinguagem,
intertextualidade,
salvação de si mesmo,
não sei, não sei.

tudo tá girando agora,
talvez seja uma outra dimensão.
é o texto me chamando pra dançar.

e eu danço."





Espero que tenham gostado! Beijinhos ♥

domingo, 26 de agosto de 2018

Resenha: O Conto da Aia

    Olá, pessoal! Tudo bom? A resenha dessa semana é sobre o aclamado e ressuscitado - eu diria - livro "O Conto da Aia". Após muitos anos de esquecimento, ele foi devidamente relançado pela editora Rocco ano passado, 2017, e hoje nós vamos conversar um pouquinho sobre essa incrível e reflexiva história.



Título: O Conto da Aia
Páginas: 366
Autoria: Margaret Atwood
Tradução: Ana Deiró
Editora: Rocco


   Uma revolução teocrática, teoricamente motivada pela esterilidade a qual a sociedade fora submetida por consequência de problemas ambientais causados pelos próprios humanos, ocorre na região onde outrora fora chamada de Estados Unidos da América. Após tal acontecimento, as mulheres são divididas para cumprirem determinados cargos: Esposas, companheiras dos Comandantes, apesar de inferiores a eles hierarquicamente, responsáveis por administrar as outras mulheres da casa; Econoesposas, Marthas, responsáveis pelo trabalho doméstico e alimentação; Tias, que doutrinam as Aias para se desfazerem dos antigos costumes e tornarem-se fiéis aos ensinamentos de Deus; Aias, sendo essas reconhecidas apenas por sua obrigação social de procriar para a manutenção dos níveis de natalidade da sociedade; e Não mulheres, as que são rejeitadas pelo governo por terem se tornado incapazes biologicamente de procriar, por serem lésbicas ou até mesmo por não aceitarem o novo sistema autocrático. 
      Offred, narradora-personagem do romance de Atwood, é retirada de sua casa, de sua família para adentrar ao novo sistema de castas, passa pelo processo de reeducação nos Centros, onde as Tias ensinam os mandamentos de Deus, a procriação como papel da mulher na sociedade e como as Aias devem se comportar quando em contato com o Comandante.
       Margaret Atwood foi feliz em toda a sua retratação distópica da nossa sociedade que, sob qualquer pressão política, econômica ou religiosa, subjuga a mulher a cargos muitas vezes desumanos com argumentos aceitados por algumas pessoas de que só assim se chegará a uma solução. 
       O Conto da Aia ou The Handmaid's Tale, escrito em 1985 e relançado no Brasil em 2017, traz uma longa e dura crítica à posição da mulher enquanto ser humano e sujeito político na sociedade, à ditadura da intolerância e da teocracia como única ideologia religiosa correta e ao clima de opressão e impotência impregnado entre o povo pelo governo. Não sendo muito diferente da nossa sociedade contemporânea e do momento político no qual a população brasileira - e mundial - se encontra, mesmo em 1985, Atwood mostrou como a democracia, o respeito, a tolerância e os direitos dos sujeitos políticos que estão longe do topo da relação política de poder são e sempre foram pouco fortalecidos e marginalizados. Aprendamos com Margaret Atwood!





Espero que tenham gostado! Beijinhos ♥

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Quote da Semana: O Conto da Aia (Margaret Atwood)

    Oi, gente. Tudo bem com vocês? O quote de hoje é de uma das poucas leituras pessoais que tenho conseguido manter por conta da carga de leitura da faculdade, mas que vale muito a pena o esforço. Enfim, vou apresentar a vocês um quote do livro "O Conto da Aia", escrito pela Margaret Atwood em 1939, relançado feliz e recentemente pela Editora Rocco aqui no Brasil e transformado em série de TV (The Handmain's Tale) pela Paramount Channel, que resume claramente o tipo de pensamento que era disseminado nos centros de educação para a naturalização da opressão de base teocrática. E é disso que se trata o livro. 



"Esfrego a manteiga sobre meu rosto, espalho na pele de minhas mãos. Não há mais nenhum tipo de loção ou creme facial, não para nós. Essas coisas são consideradas vaidades. Somos receptáculos, somente as entranhas de nossos corpos é que são consideradas importantes. [...]" página 118 



Espero que tenham gostado! Beijinhos ♥